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Independência da Bahia, 2 de Julho, Viva a Bahia e o Povo Brasileiro – Imprensa Bahia
Romário Dos Santos

Independência da Bahia, 2 de Julho, Viva a Bahia e o Povo Brasileiro


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Data histórica no 2 de Julho, se comemora a Independência da Bahia. É uma parte importante da história do Brasil que é muito pouco conhecida além das fronteiras do estado, muito embora vários projetos de lei tramitem no Congresso – sem terem sido votados -, para que fosse incorporada aos livros didáticos. E que seus atores tivessem um merecido lugar no panteão dos heróis nacionais.

O que se comemora no Brasil é o 7 de Setembro. E a História oficial conta que D. Pedro I, montado em um cavalo branco (imagem imortalizada no quadro de Pedro Américo) tascou um “Laços fora, soldados!” seguido do grito de “Independência ou Morte!!!”. Mas o que se diz é que o imperador montava uma mula, já que fora visitar a amante Domitila, em Santos. E o trote de uma boa mula é muito melhor para cobrir a distância entre o Rio, a então Capital da Colônia, e a cidade praiana de S. Paulo. Que terminaria incorporada ao título nobiliárquico de Marquesa ganho pela moça, decerto por seus nobres serviços na alcova.

O fato é que, entre mentiras, verdades e pós-verdades, não se derramou uma gota de sangue na independência proclamada pelo imperador, salvo se – em português de Portugal – o gajo estivesse a sangrar pelas hemorróidas. Isso porque uma outra versão diz que ele “estava a cagaire” atrás de uma moita, quando chegou um estafeta com a mensagem de D. João VI ordenando que ele voltasse a Portugal – o que gerou o tal “Dia do Fico”. Mas isso é uma outra história.

Diferentemente dessa plácida história às margens plácidas do Ipiranga, a independência da Bahia foi guerra mesmo, com direito a batalhas terrestres e navais que envolveram 14.500 soldados do lado brasileiro e 10.000 do lado português, resultando em mais de 3.500 mortes nos dois lados, cerca de 700 feridos e 300 prisioneiros. E registre-se que marinheiros portugueses, que voltariam para Portugal depois de servirem no Rio de Janeiro, receberam ordens de aportar em Salvador e assim engrossarem, com suas armas e navios, as forças do general Madeira de dar em doido – ou seja, naqueles loucos sem armas, muitas vezes munidos só de pedras, que lutavam contra os bacamartes da Metrópole.

Claro que chamar de “soldados do lado brasileiro” é força de expressão, já que as forças locais eram formadas em sua maioria por comerciantes portugueses que abraçaram a causa da independência, negros que viram ali uma oportunidade de se libertarem do jugo português, índios (caboclos) arregimentados na boca da mata, vaqueiros paramentados (os Encourados de Pedrão), pescadores, marisqueiras, escravos de ganho e um regimento de soldados portugueses que passou para o nosso lado. E que foi sitiado no Forte de S. Pedro. O forte foi violentamente bombardeado pelas forças do comandante português Madeira de Melo, que não era Luiz Inácio mas era Inácio Luís. E o que o movia era a mesma vontade de bombardear quem queria um Brasil livre e independente – ou vocês acham que eu não iria incluir Lula, a “minha paixão”, nesta história?

E a guerra da independência da Bahia (e, por consequência, a do Brasil) não durou assim um carnaval de Salvador que, como todo mundo sabe, duuuuuura pra caramba. Durou muito mais: começou lá pelos idos de 1821, atravessou o 7 de setembro de 1822 e só foi terminar em 2 de julho de 1823, com a entrada triunfal em Salvador das forças nacionais, depois da batalha de Pirajá, quando venceram definitivamente as tropas de Madeira de Melo. Alcançaram a cidade pela Estrada das Boiadas (que virou Estrada da Liberdade), e passaram sob um Arco do Triunfo feito pelas freiras do convento da Soledade, com palmas de coqueiros, galhos e flores. Bem mais épico que a história (ou estória) onde se ouviu um “brado retumbante”, não?

E a luta produziu vários heróis: a primeira mártir do Brasil, Sóror (Abadessa) Joana Angélica, assassinada quando o convento da Lapa foi invadido pelas tropas portuguesas que caçavam revoltosos que estariam lá escondidos; Maria Quitéria, uma enfermeira que se alistou como homem, galgou o posto de tenente e comandou tropas em pelo menos quatro batalhas; o corneteiro Lopes, português de origem, brasileiro na luta, que trocou o toque de “Recuar” pelos de “Avançar” e “Degolar”, o que fez os portugueses pensarem que os revoltosos tinham recebido reforços de cavalaria e então debandassem, na batalha final de Pirajá; o marinheiro João das Botas, bravo em sua chalupa contra as canhoneiras portuguesas; o mercenário inglês Lord Thomas Cochrane, contratado por D. Pedro para ser o comandante das forças navais dos revoltosos nas batalhas na Baía de Todos os Santos e no Rio Paraguaçu, onde fica Cachoeira, a cidade que ousou se proclamar independente de Portugal; o também mercenário General Labatut, francês, que veio comandar as tropas em terra; o general Lima e Silva – ele mesmo, o Duque de Caxias – que assumiu o comando geral; e muitos outros do povo, como Maria Filipa, negra, marisqueira, capoeirista, que juntou 40 outras negras que atraíam (nuas!) os marujos que guardavam os navios da frota portuguesa fundeados em Itaparica e com danças lascivas os faziam tirar as roupas para então dar-lhes surras de cansanção (urtiga). E com os portugueses fora de combate incendiavam seus navios, como forma de equilibrar as forças navais. E conseguiram.

Desconfia-se que Maria Filipa foi a inspiração de João Ubaldo Ribeiro para compor a personagem Maria da Fé, a mulher que se vestiu de capitão (como Maria Quitéria) e que viveu uma linda e misteriosa história de amor com Patrício Macário em Viva o Povo Brasileiro – e assim eu voltei ao título.

Então hoje, amigos e amigas, quando virem na tevê uma matéria de alguns segundos sobre o 2 de Julho na Bahia, saibam que há muita história por trás do desfile da Cabocla e do Caboclo, das fanfarras das escolas, do povo nas ruas da Lapinha, da Soledade e na praça do Campo Grande, dos políticos disputando votos e de prováveis sindicalistas pelegos, mortadelas andantes e inocentes úteis gritando “Fora Temer’.

Há mais, muito mais que os três séculos cobertos no espetacular livro do Ubaldo (talvez o melhor que já li). São quase 500 anos de história desta Cidade do Salvador da Baía de Todos os Santos, esta descoberta em 1501, e que viu a cidade nascer para ser livre em 1549 e conquistar, com muito sangue e muita luta, esta liberdade em 2 de Julho de 1823.

E Viva o Povo Brasileiro!!! – Alberto Saraiva, soteropolitano, baiano, brasileiro. Com muito orgulho.

Fonte: Alberto Saraiva


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