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Atacar profissionais da imprensa é atacar a liberdade – Imprensa Bahia
Romário Dos Santos

Atacar profissionais da imprensa é atacar a liberdade


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Incitar agressões a profissionais de comunicação apenas por noticiarem fatos é uma estupidez que fere os pilares da democracia. No Brasil, isso é mais comum do que se pensa.

Só em ambientes autoritários se vê tanto esforço para reprimir e calar a imprensa como atualmente no Brasil. Ameaçar e agredir jornalistas virou uma prática corriqueira nas últimas semanas. Pelo menos 20 profissionais foram atacados e sofreram algum tipo de violência. O alvo principal tem sido o grupo Globo, mas houve farto veneno distribuído para toda a mídia. Em seu último discurso antes de embarcar para a prisão, dia 7, Lula atacou com ira os veículos de imprensa que cobriram ao longo dos anos os escândalos e as roubalheiras perpetradas por ele e seu partido. O pronunciamento foi a senha para que uma militância fanática partisse para agressões físicas e verbais contra repórteres, fotógrafos, cinegrafistas, assistentes e motoristas de TVs, rádios, jornais e revistas que estavam trabalhando dentro ou nos arredores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

No pior caso, o repórter Pedro Durán, da rádio CBN, foi atacado no saguão do sindicato logo após entrevistar o ex-ministro Celso Amorim. Grades de proteção e garrafas d’água foram arremessadas contra ele, que teve de sair do local pelo subsolo para não ser agredido por uma multidão, mesmo estando ao lado de dirigentes partidários e seguranças. “Sim! Estou te ameaçando! Que parte da ameaça você não entendeu?”, disse o agressor antes de empurrá-lo contra uma divisória de vidro. Durán sofreu escoriações, mas seguiu até terminar seu trabalho. O episódio foi filmado. A violência começou ainda na noite de quinta-feira 5, quando o fotógrafo Nilton Fukuda, a serviço do jornal O Estado de S. Paulo, foi insultado e atingido por ovos lançados por um homem que vestia uma camiseta da CUT. Alguns profissionais foram ameaçados de morte mais de uma vez. No sábado, a repórter da rádio BandNews Gabriela Mayer levou um tapa de uma militante que ainda tentou roubar seu celular. Uma equipe da RedeTV News interrompeu a cobertura quando começaram xingamentos e arremessos de latinhas e copos. “Todo mundo virou alvo”, disse Caio Rocha, da Rádio Jovem Pan, ameaçado de morte por seguranças quando estava do lado de fora do sindicato. Ele e outros colegas tiveram de sair dali pelo portão de um estacionamento que dava para outra rua. Horas depois, no aeroporto de Congonhas, uma equipe da TV Globo teve que se retirar após ser hostilizada.

Traição sindical

Como era de se esperar, as principais entidades de classe do jornalismo se manifestaram contra os episódios no Sindicato dos Metalúrgicos. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificou os fatos como “injustificáveis”, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) emitiram uma nota conjunta contra a covardia decorrente da “intolerância e da incapacidade de compreender a atividade que é a de levar informação aos cidadãos”. Mas o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, subordinado à CUT, traiu a classe. Apesar de condenar genericamente as agressões, a entidade fez vista grossa ao autoritarismo galopante, colocou a culpa da violência nas empresas de comunicação, que adotaram uma linha editorial “de hostilidade contra organizações populares” e concluiu dizendo que a democracia só será possível com “Lula livre”. Trata-se de um contorcionismo cognitivo.

Ovo ao alvo
Manifestante com camiseta da CUT joga ovo no fotógrafo Nilton Fukuda, do jornal O Estado de S. Paulo, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: a busca da verdade depende da boa reportagem — e o ódio à imprensa é inimigo da cidadania


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