Pagina Inicial

Pagina Inicial
O PT é que saiu de mim… – Imprensa Bahia
Romário Dos Santos

O PT é que saiu de mim…


  •  
  •  
  •  

O PT é que saiu de mim”… Assim, solta, essa frase não passa toda a força do sentido que tem. Mas vamos guardá-la, ela voltará ao final desse texto, e aí soará lógica e potente. Por enquanto, fica anônima…

O PT foi fundado em São Paulo no dia 10 de fevereiro de 1980, no tradicional colégio católico Sion. Era ainda o tempo obscuro da ditadura militar, mas uma “lenta, gradual e segura” abertura política, como a definia o general Golbery do Couto e Silva, já se fazia ver no horizonte: um ano antes, a Lei da Anistia trouxera de volta ao Brasil muitos intelectuais que, asilados ou exilados, viveram a maior parte dos anos de chumbo no exterior.

Retornavam, também, guerrilheiros que haviam sido banidos. Mais: sob as bênçãos da ala progressista da Igreja Católica, que seguia a doutrina da Teologia da Libertação, estourava no ABC paulista um novo sindicalismo a casar reivindicações salariais com palavras de ordem pela democracia.
O seu líder máximo chamava-se Luiz Inácio da Silva. Isso mesmo, o Lula, mas nessa época o apelido servia apenas no futebol, no sindicato e no bar – não tinha sido, ainda, incorporado ao nome.

Pois bem, o fato é que a conjução de todas essas correntes sociais, compostas por uma alta “intelectualidade orgânica”, por ex-guerrilheiros e ex-presos políticos, pela Igreja e por sindicalistas, formaram a argamassa que trouxe à luz o Partido dos Trabalhadores.

Programaticamente, ele nasce seguindo princípios do cientista político italiano Antonio Gramsci, na busca de uma “justa social-democracia” – a estratégia, acreditava-se, era “interpretar a luta política como forma de luta pela hegemonia ideológica”.

Podemos concordar ou discordar dessa metodologia, mas é inegável que, ancorado em sérios pensadores e sérios militantes, o PT mostrava uma concreta proposta de melhorar o País. O seu principal lema era um tsunami na velha politicagem:

Ética!

Para se ter uma ideia, a ficha número 1 do partido traz as assinaturas de dois intelectuais eternamente insubstituíveis:
Antonio Candido, autor do inigualável clássico “Formação da Literatura Brasileira”, e Sérgio Buarque de Hollanda, que mergulhou na alma dos brasileiros com “Raízes do Brasil”.

O presente, muitas vezes, não faz ponte com o passado. É esse o caso.

Hoje, Lula está preso devido ao “petrolão”, e o partido… bem, o partido é um arremedo de partido, “página suja da história que precisa ser virada de uma vez por todas”, na opinião do jurista Hélio Bicudo, notável fundador da legenda e que há muito tempo saiu dela.

Assim como ele, outros intelectuais, que abandonaram a sigla na medida em que ela traía os seus princípios, olham-na agora, à distância e pelo retrovisor da história, e respiram: ufa, que alívio, olha a lama da qual me livrei.

“O partido acabou. Há tempo não me representa mais. Restam nele resquícios religiosos”

Diz o economista e jornalista Paulo de Tarso Venceslau, que foi um dos mais respeitados nomes da guerrilha brasileira.

O PT virou seita, não importam os fatos, não importa a verdade”.

O que aconteceu com Lula? O que aconteceu com o PT? Claro que toda formação partidária almeja o poder, e o tal poder chegou em 2003 com a posse de Lula na Presidência da República.

Abraham Lincoln ensinou:

“para descobrir o caráter de um homem, dê poder a ele”.

Pois é, o Brasil descobriu o caráter de Lula. Ele mudou? Vai ver que sempre foi assim, e no Lula das greves da Vila Euclides talvez já habitasse o Lula do “mensalão” e do “petrolão”… mas voltemos à Presidência do Brasil.

“Atualmente, quando olho a imagem de Lula, fica claro que ele não tem caráter, foi um oportunista como 8”,

afirma Francisco de Oliveira, um dos mais conceituados sociólogos da  Latina.

Ele diz que “Lula é mais esperto do que se imagina”. Sem dúvida. Jogando com essa esperteza ele tentou nos iludir falando em coalizões partidárias mas exercendo, na verdade, a cooptação política.

Se é fato, como escreveu Marshall Berman, a partir de uma frase de Karl Marx, que “tudo que é sólido desmancha no ar”, o antes sólido PT desmanchou no chão! Coalizões partidárias integram o pacto democrático, mas não têm nada a ver com a cooptação que conduz ao aparelhamento do Estado e à corrupção.

Em 2005

A diáspora já em andamento dos condestáveis que fundaram o PT foi acelerada com o escândalo do “mensalão”.

“O PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de ”, diz Carlos Alberto Libânio Christo, o dominicano Frei Beto.

Finalmente, voltemos à frase do início desse texto, e agora sim, exposto o real perfil do PT, ela faz todo sentido.

Seu dono foi Plínio de Arruda Sampaio (falecido em 2014), um dos mais éticos homens públicos do Brasil. Fundou o partido e vinha de todas as correntes: mantinha laços com a Igreja Católica, com o movimento sindical, com a luta contra a ditadura e com o estamento intelectual.

Quando, ao desfiliar-se, Plínio disse:

“o PT é que saiu de mim”, deu uma clara lição: ele permaneceria com a moral e a ética que sempre teve, o PT é que fosse andar.

Então é isso, quem é bom não muda!

Foi o PT que mudou e perdeu tanta gente de primeira qualidade nesse País.

Colaborou Rudolfo Lago


  •  
  •  
  •  
Outras Notícias:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *