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Simoes Filho, Vive sob a era das picuinhas – Imprensa Bahia
Romário Dos Santos

Simoes Filho, Vive sob a era das picuinhas


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Todos que gostam da boa música, MPB, conhecem os personagens de Paulinho da viola, na belíssima   e tensa canção Sinal Fechado não conseguem estabelecer um diálogo mais prolongado porque vai “indo correndo pegar ao lugar no futuro”.

Naquela pequena obra-prima, o filho do César Filho já denunciava, numa crítica antecipadoramente sagaz,   como o relacionamento entre dois amigos que se encontram, inadvertidamente, numa sinaleira qualquer padeciam sob as velozes intempéries das incipientes megalópoles.

Mesmo que não tenham sido a intenção do lírico sambista, a música composta no fim dos anos 60 mostrava também que não se podia, naqueles tempos temerários, ficar parado diante da conjuntura, das assombrações promovidas, pelo sufocante AI-5 – Ato Institucional número 5. Correr (para o futuro ou não), era preciso; viver, nécaras.  Lésprit du temps exigia.

Pois muito bem. Digo, pois muito mal. Atualmente, continuamos reféns destas  velocidades estáticas das grandes cidades que não nos levam a  lugar algum. Porém, creio, o pior mal-estar da contemporaneidade  em Pindorama, mais grave até mesmo do que a inarredável e engarrafada pressa, é uma espécie de rancor fútil, se é que os rancores podem ser fúteis.

Hoje, tudo e nada virou motivo para cizânias. Alias, arrisco-me a prevê se Paulinho da Viola fosse reescrever hoje o mesmo libelo musical, o início, e o desfecho do diálogo entre os amigos seria, mais ou menos o mesmo assim…

Olá como vai? Concordo. Sou contra. E ponto. Sinal Fechado. É isso. Parece-me que o Zeitgeist agora é uma  quase que isana  sedução pela divergência. Estamos em plena era da picuinha ( sorry, Eric   Hobsbawm), onde vigora o simples prazer de contrariar, de discutir. Se um temporal se abate sobre a maltratada cidade, muitos se preocupam mais em saber se a chuva foi municipal, estadual ou federal do que com as pessoas que perderam seus bens, suas vidas, casas e seus vizinhos com suas histórias e a cidade.

Nasceu em Alexandria em 9 de Junho de Considerado um dos historiadores atuais mais importantes, Hobsbawm, além de velho militante de esquerda, continua utilizando o método marxista para a análise da História, sempre a partir do princípio da luta de classes. É membro da Academia Britânica e da Academia Americana de Artes e Ciências. Foi professor de História no Birkbeck College (Universidade de Londres) e ainda é professor da New School for Social Research de Nova Iorque.

A (des) propósito, Nelson Moraes costuma dizer que se um meteoro gigante caísse no Brasil, as mortes seriam incontáveis.  Sim, muita gente morreria abrigando para saber se o referido é do governo ou da oposição. Para os irascíveis contendores das redes sociais e de outros lugares insalubres, pouco importa os óbitos ou outros aspectos da tragédia. O que lhes move é o desejoa insaciável pela peleja.

E o mais tristemente patético, contudo, é que os desentendimentos mais radicais ocorrem, não raras vezes, entre os que pensam de modo quase idêntico. Brigam apenas por diletantismo. Ou talvez, quem sabe, estas falsas contradições entre iguais sejam levadas ao paroxismo exatamente com o objetivo de monopolizar  o debate, impedindo o surgimento das vozes realmente dissonantes.

Bom. Antes que venham brigar comigo, acusando-me de fazer apologia da conciliação, necessito pegar o meu lugar no futuro e beber alguma coisa e rapidamente…

Assim, vivemos em Simões Filho. Boa Terra Boa Gente…

Notas da Redação:

Nécara: 

Feminino – Portugal:  Cada um dos cinco seixos ou pedrinhas roladas, com que se faz um jôgo entre raparigas.

L’esprit du temps:

O espírito dos tempos

Zeitgeist ( (audio):

Pronúncia: tzait.gaisst) é um termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certaépoca, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.

Eric John Ernest Hobsbawm:

Alexandria, 9 de junho de 1917 – Londres, 1 de outubro de 2012, foi um historiador marxista britânico reconhecido como um importante nome da intelectualidade do século XX. Ao longo de toda a sua vida, Hobsbawm foi membro do Partido Comunista Britânico.

 


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